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Socorro MenezesPsicóloga

Quem cuida também adoece

Familiares e cuidadores de pessoas doentes carregam medo, cansaço e culpa sem se dar o direito de reclamar, porque "quem está doente é o outro". Maria Socorro de Menezes, psicóloga, atende cuidadores em psicoterapia individual, com ou sem a presença da pessoa em tratamento.

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Por que quem cuida demora tanto a procurar ajuda?

Porque existe uma hierarquia silenciosa do sofrimento dentro das famílias: quem está doente tem direito de sofrer, os outros têm o dever de sustentar. Quem cuida internaliza isso e passa a achar que o próprio cansaço é egoísmo.

O resultado é uma pessoa que atravessa meses ou anos sem dizer a ninguém que está no limite, e que só procura ajuda quando o corpo ou o casamento dá sinal.

É normal sentir raiva de quem está doente?

É frequente, e quase nunca é dito. Raiva do adoecimento, da dependência que ele criou, da vida que foi suspensa, e às vezes da própria pessoa — por não colaborar com o tratamento, por ser difícil, ou simplesmente por estar doente.

Sentir isso não faz de você uma pessoa ruim. O que costuma adoecer não é a raiva, e sim o esforço permanente de fingir que ela não existe.

O consultório é um dos poucos lugares em que esse conteúdo pode ser dito sem consequência para a família.

E a culpa de querer descanso?

Vem junto, sempre. Querer um fim de semana livre, querer que acabe, querer a vida de volta. Em situações de doença longa, é comum aparecer até o desejo de que a pessoa morra, seguido imediatamente de horror consigo mesmo.

Esses pensamentos são parte conhecida da experiência de cuidar prolongado. Dizê-los em voz alta, num lugar seguro, costuma tirar deles boa parte do peso.

Quem cuida de quem envelhece está incluído?

Está. A inversão de papéis com um pai ou uma mãe que passa a depender é uma das transições mais difíceis de uma família, e vem acompanhada de conflito entre irmãos sobre divisão de tarefas, dinheiro e decisões.

Esse conjunto é trabalhado também em orientação familiar, a partir de quem procura.

O que a psicoterapia oferece a um cuidador?

Um lugar que é seu. Não uma orientação sobre como cuidar melhor do outro, e sim um espaço em que você é o assunto — o que, para quem cuida, costuma ser uma experiência esquecida.

A psicóloga Maria Socorro de Menezes trabalha com adultos há 25 anos e atende cuidadores independentemente de a pessoa doente estar ou não em acompanhamento.

Atendimento psicológico não é serviço de emergência. Em situação de risco à vida, ligue para o CVV no 188, para o SAMU no 192 ou procure o CAPS ou a UPA mais próxima.

Revisado por Maria Socorro de Menezes, psicóloga. Ver formação e atuação.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Preciso do consentimento da pessoa doente para me tratar?

Não. Você procura por você, e o atendimento é seu.

E se eu não tiver horário livre nenhum?

O formato online costuma resolver, por eliminar deslocamento. Os horários disponíveis são combinados no contato.

Isso serve para quem cuida de alguém com demência?

Serve. O cuidado prolongado em quadros de demência tem um desgaste próprio, que inclui um luto que começa antes da morte.

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Maria Socorro de Menezes · Psicóloga

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